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Cômodo Arrependimento
"Considerai e vede se há dor igual
à minha, que veio sobre mim, com que o
Senhor me afligiu no dia do furor da Sua ira.
(...) As misericórdias do Senhor são
a causa de não sermos consumidos, porque
as Suas misericórdias não têm
fim; renovam-se cada manhã. Grande é
a Tua fidelidade." (Lamentações,
1.12-b; 3.22-23)
) Não raro, esquecemos que Deus nos tem
na palma da Sua mão; isso pode acontecer
quando esquecemos - também - das Promessas
feitas por Ele. Sabemos o quão falíveis
nós somos, e, nesse caso, muito justificadores
das nossas condutas. Vivemos errando, mas temos
sempre um versículo de consolação
na ponta da língua, para lembrar e até
cobrar a imensa Bondade do nosso Pai. O que fazer
para não pensar em Deus como um Pai somente
Misericordioso ou como um Pai Implacável?
Para um cristão autêntico, a própria
consciência do erro já é um
alerta do Espírito Santo. Ele está
enfaticamente alertando "Não faça
assim!", mas, às vezes, parece inútil
o alerta. Erro cometido, voltamos, "arrependidos",
e pedimos perdão - "Todo caminho é
reto aos seus próprios olhos, mas o Senhor
sonda os corações" (Provérbios,
21:2) e sabe quem está e quem não
está arrependido. Baseado nisto, é
prudente que estejamos atentos quanto à
inutilidade desse joguinho que tentamos fazer
com Ele.
Não há alívio! Não
há versículo encorajador que "dê
jeito"! "Eu não quero, mas peco"
- é muito confortável gozar do acesso
imediato ao Pai [Graça pura!], mas esse
não nos é outorgado para servir
de muleta para os nossos próprios erros,
mas sob a condição sine qua non
de que produzamos fruto digno do arrependimento
professado (Lucas, 3.8), ou seja, todo aquele
que se arrepende, passa, indiscutivelmente, a
produzir fruto novo, e por eles é conhecido;
"Pelos seus frutos os conhecereis."
(Mateus, 7.16).
Por isso, precisamos também, inexoravelmente,
temer o peso da mão de Deus, pois Ele não
está jogando pingue-pongue conosco! "Ai,
eu pequei! / Ah, Ele perdoa! / Ai, pequei de novo!
/ Ah, mas Ele é Misericordioso! / Não
tem jeito... pequei outra vez! / Ah, mas não
tem problema... a Sua misericórdia dura
para sempre!". Se essa tem sido a nossa "teologia"...
desastrosamente enganados estamos: não
é a do nosso Deus!
Trata-se aqui dos filhos de Deus - resgatados
da morte eterna a preço de sangue inocente
(Jesus). Por que é que agimos dessa maneira?
Porque acreditamos, comodamente, que até
isso Deus perdoa. Não é fácil?
É só arrepender-se de tudo (até
do que não conseguimos nos arrepender)
e colocar nas mãos de Deus que Ele resolve.
Ele sempre resolve. O que seria desse povo se
as misericórdias do Senhor não se
renovassem a cada manhã? (Lamentações,
3.23).
Talvez nós estejamos entendendo Deus numa
concepção muito humanista. Seria
ótimo se, por um minuto, pudéssemos
ter a exata noção da inenarrável
grandiosidade d'Ele; talvez, então, parássemos
de agir como se Deus estivesse de plantão,
à nossa disposição. É
um erro coletivo, mas vivenciamos mais claramente
a prerrogativa de ser filho querido do que a incumbência
de servo submisso, e, definitivamente, não
é isso o que Ele quer.
"Eu sou aquele que sonda mentes e corações,
e vos darei a cada um segundo as vossas obras.
Eu repreendo e disciplino a quantos amo."
(Apocalipse, 2.23-b; 3.19).
Em Cristo,
Ana Oliveira
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